Campo Grande: glamour idealizado há  38 anos

A iniciativa de se promover transformação da Rua 14 de Julho, uma das principais vias do centro da cidade de Campo Grande,capital de Mato Grosso do Sul, vem ocorrendo agora, passados 41 anos. A proposta surgiu em 1977 quando o urbanista Jaime Lerner foi contratado pelo então prefeito Marcelo Miranda para promover essa ”revolução” na Cidade Morena.

 

Parcialmente algumas foram executadas, mas a revitalização na via não aconteceuO prefeito Marquinhos Trad (PSD), quatro décadas depois, está executando o projeto Reviva Campo Grande. As obras estão aceleradas e, hoje (26), quando Campo Grande comemora 119 anos e emancipação político-administrativa, o tradicional desfile foi realizado na Rua 13 de Maio devido aos serviços realizados no antigo palco, ou seja, a 14 de Julho.

 

Há três anos, mais precisamente no da 24 de agosto de 2015, o diário Correio do Estado publicou reportagem, de autoria do jornalista Fausto Brites – no ”40 anos de Lida e Leads” – sobre a proposta de se transformar Campo Grande, incluindo a Rua 14 de Julho.

 

Leia abaixo:

 

 

Campo Grande 119 anos: Rua 14 de Julho foi incluída em projeto de revitalização há 4 décadas

 

Aproveitamento das margens dos córregos Prosa e Segredo como um grande parque linear; implantação de inúmeras estações de embarque e desembarque; e áreas verdes com equipamentos de lazer, além de implantação de ciclovias. Essas obras, hoje realidade em Campo Grande, que no dia 26 comemora 116 anos, não foram idealizadas recentemente. Elas “nasceram” há 38 anos e faziam parte de um projeto que seria a revolução urbanística da cidade. Uma mudança aguardada e cujos traços foram apresentados com “pompa e circunstância”.

 

A expectativa era grande naquele dia 14 de julho de 1977.

 

Motivo: enfim, seria apresentado o projeto do urbanista Jaime Lerner, com pretensões de fazer de Campo Grande, a “Cidade Morena” e “Capital Econômica” de Mato Grosso, muito mais charmosa e graciosa, com melhorias no presente com os olhos voltados para o futuro, como era voz corrente pelos entusiastas das mudanças.

 

O prefeito era Marcelo Miranda Soares, engenheiro, que, depois de administrar alguns órgãos do Estado, conquistou o comando do município, com apoio do governador Pedro Pedrossian e do seu antecessor Levy Dias. Ao assumir, decidiu apostar em uma cidade moderna.

 

Ele tinha dois principais motivos para isso: a obrigação inerente ao cargo de fazer o melhor pelo município e, por ter participado de discussões em diversas esferas políticas, recebera a certeza da divisão de Mato Grosso, com a consequente criação do Estado de Mato Grosso do Sul. Assim, contratado por ele, Jaime Lerner aportou com sua equipe para dar início aos trabalhos.

 

Desde fevereiro daquele ano, portanto, o futuro projeto de mudanças tornou-se motivo de comentários na cidade. O jornal Correio do Estado acompanhava a evolução dos trabalhos. Na edição de 26 de fevereiro, por exemplo, uma das manchetes era “Transportes de massa, área de lazer e humanização, as metas de Lerner para Campo Grande do futuro”. O jornal de 23/24 de abril informava: “Em 150 dias, Campo Grande terá plano de urbanização”. A chegada do mês de julho trouxe também o tão esperado “presente e futuro” da já sonhada Capital de Mato Grosso do Sul. Pastas e pastas, além de slides, integravam o programa “A Estrutura Urbana Proposta para Campo Grande”. A data da apresentação não poderia ter sido mais emblemática: 14 de julho, ainda hoje nome da principal rua da cidade e para a qual havia previsão de intervenção urbanística especial, ou seja, o “calçadão”.

 

 

O mais interessante é que, apesar de ser a obra que mais causava expectativa, não se concretizou no local previsto, sendo implantada apenas num trecho da Rua Barão do Rio Branco.

 

 

O jornal Correio do Estado, na edição do dia seguinte, 15 de julho, trouxe reportagem de uma página apresentando o projeto. “Calçadões: a grande vitória do pedestre; transportes, a salvação do trabalhador” foi o título da matéria principal. Os demais: “Um programa muito arrojado”, “O Centro Cultural, áreas de lazer, os fundos de vales, a urbanização” e “Ônibus voltam ao centro: um a cada 5 minutos nos bairros”. Marcelo deu início às obras, mas deixou a prefeitura para assumir o governo.

 

O projeto foi interrompido em algumas administrações. Hoje, o ex-prefeito, ex-senador e ex-governador Marcelo Miranda fala com orgulho do projeto e alerta:

– Cidade sem planejamento está liquidada.

 

(Publicado originalmente no jornal diário Correio do Estado no dia  24 de agosto de 2015)